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O vencedor! – O protagonista que virou coadjuvante

A cerimônia do Oscar já passou, porém ainda me falta prestigiar alguns dos filmes que foram premiados.

Hoje foi a vez de “O vencedor”, que deu a estatueta de melhor atriz coadjuvante para Melissa Leo e de melhor ator coadjuvante para Christian Bale.

Ao término do filme, eu estava muito emocionada com a história e também com a esplendida atuação de Bale. Uma coisa muito boa de assistir e não tive a menor dúvida de que a disputada estatueta estava em mãos mais do que certas. Eu pensei: Como eu queria ter visto o filme antes, porque eu teria torcido muito no dia da premiação e ficado muito, muito, muito feliz por Christian Bale ter sido o vencedor, (sem trocadilhos, é claro).

Mas ao mesmo tempo em que a satisfação e a emoção pós-contemplação da obra tomava conta de mim, uma pulga se alojava atrás da minha orelha e me perguntava o tempo todo: Por que diabos o Christian Bale concorreu ao Oscar como ator coadjuvante?

Bom, bora lá explicar:

Baseado e fatos reais, o filme conta a história de Micky Ward (Mark Wahlberg), que tem de superar não apenas os obstáculos do ringue, mas a presença poderosa de seu irmão Dicky Ecklund (Christian Bale), um ex-pugilista fracassado e viciado em crack e de sua mãe dominadora (Melissa Leo). Ele vai encontrar forças para superar os obstáculos iniciais no relacionamento com a namorada (Amy Adams).

Ou ainda: O filme conta a história de Dicky Ecklund, um ex-pugilista superprotegido pela mãe, viciado em crack, que vive das lembranças de suas glórias do passado e atua como treinador de seu irmão e grande fã, o jovem pugilista Micky Ward. Não conseguindo controlar o vício, Dicky começa a prejudicar o irmão em suas lutas e após ser preso em um assalto perde totalmente a confiança de Micky e também o posto de treinador. Seus grandes desafios serão vencer o vício das drogas e provar ao irmão que pode torná-lo um vencedor.

Além da primorosa atuação de Bale, que cobre “um pouquinho” a de Wahlberg, o filme o tempo todo confunde, sobre quem realmente é o protagonista. Desde a apresentação dos personagens, quando no início do filme, Bale (coadjuvante) aparece primeiro contando sua história e apresentando Wahlberg (o protagonista) como “o meu irmão”.

Detalhes a mais, conflitos maiores que o roteiro trouxe para Christian Bale, que claro ressaltaram as características e deram mais riqueza para seu personagem, além da forma como a direção ressaltou isso, às vezes deixando Wahlberg de fundo, também são coisas que se não deixaram  maior, pelo menos deixaram a historia de Dicky pau a pau com a história de Micky.

Exemplos: 1- O filme começa apresentando Dicky (Bale) que grava um documentario sobre sua vida. Enquanto conta sua história, ele apresenta o irmão, Micky (Wahlberg), que segundo ele, terá um futuro promissor no boxe. Embora, se refira muito ao irmão e Wahlberg dê seus pitacos e tem algumas falas, essa abertura está muito mais voltada para a história de Dicky.

 2 -Micky diz à filha que ganhará a luta para comprar uma casa para eles. Ele perde a luta e o diretor não mostra depois, como ficou essa questão de não poder dar a filha o que havia prometido e de não ser um vencedor na visão dela, mostra apenas uma cena de um conflito interno dele com ele mesmo. Dicky grava um documentário sobre sua volta aos ringues e como foi sua vida com a droga. A emissora de TV ressalta o lado perdedor do pugilista e o mostra no documentário fumando Crack. O diretor mostra durante essa cena, a reação da mãe, do pai e das irmãs, a reação dos colegas de cela de Dicky (que está preso), a reação do filho, a reação da sobrinha (a filha de Micky), a reação da namorada de Micky, e a reação do próprio Micky. 

3 – Depois de perder a luta e ver o seu irmão e ídolo ser preso, Micky arruma um novo treinador e treina excessivamente para voltar a forma e aos ringues como campeão. Enquanto isso, na cadeia, Dicky sofre com a abstinência do crack, supera a falta da droga  e começar a treinar excessivamente para voltar a forma e reconquistar a adimiração dos fãs e da família.

O tempo todo, direção e roteiro, se não ressaltam, trabalham de forma paralela a história de Dicky Ecklund com a do irmão, o que torna Bale muito mais que coadjuvante.

Então eu poderia dizer que: “O filme conta a história de dois irmãos…”

Concordo com a premiação de Christian Bale, mesmo porque eu acho que essa foi a melhor atuação dele, mas jamais concordarei que ele foi coadjuvante neste filme.