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Hospital Público para cães e gatos? Pra quê?

Por Elaine Paiva

Talvez em outros tempos, eu achasse totalmente desnecessária a criação de um Hospital Público para cães e gatos e, sem pensar ou avaliar a real necessidade, estaria especulando e procurando defeitos em tal criação para dar cada vez mais fundamento ao meu “achismo”.

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Porém, trabalhando cada vez mais próxima à Proteção Animal, isso indiretamente, pude perceber o quanto os animais sofrem abandonados pelas ruas (sim, assim como as crianças, antes que alguém o diga), e o quanto sofre também o animal de quem não tem condições de lhe dar um tratamento pelo menos básico de saúde ou de frequentar um serviço veterinário particular.

Falo, porque presencio diariamente a dor dessas pessoas, e foi o que fez mudar meu pensamento a respeito da criação de uma Unidade Pública de Saúde para animais. E falo, porque só estando bem perto, pude perceber que talvez eu não pudesse entender, ou você não pudesse entender, mas quem realmente gosta ou valoriza um animal, até como um filho ou uma pessoa da família, com certeza entende.

Passei alguns dias dentro da primeira Unidade Pública de Saúde para cães de gatos do país. E pude ter contato com a sua evolução desde o seu nascimento. Como uma coisa que começa sem um exemplo para seguir, assim também este serviço passará por mudanças, mudanças e mudanças até que chegue a um modelo que seja melhor para a população que se destina, por isso, segundo a direção do hospital, todas a opiniões serão bem vidas para que cada vez mais uma luz se abra de encontro ao caminho certo.

O Serviço Veterinário da Anclivepa-SP, como é chamado oficialmente, é destinado à população de baixa renda, ou seja, é feito para que aquele cara que não tem a menor condição de tratar seu animal em um serviço particular, possa tratá-lo com dignidade em uma unidade construída com seus próprios recursos (impostos que paga). Mas, o bom senso falta para algumas pessoas, e quando se ouve a palavra “Público”, muitos, mesmo tendo condições financeiras, tomam para si  o direito de receber o benefício e não pensam em nenhum momento na solidariedade de ceder o espaço para quem realmente precisa.

E como triar essas pessoas? Como escolher quem deve ou não receber? A princípio o serviço foi destinado às pessoas que recebem benefícios como o Renda Mínima, Bolsa Família e também aos cachorros e gatos de abrigo e do Centro de Zoonozes. A questão de atender pessoas que recebem benefícios da Prefeitura caiu como uma bomba sobre muitos, já que muita gente realmente pobre, não recebe tais benefícios.

O que muitos esquecem de pensar é que existem na cidade 3 milhões de cães e gatos (segundo dados da Prefeitura de São Paulo), e existe apenas um Serviço Público na cidade, aliás no país  inteiro, que deve abraçar essa população. Por isso, surgiram muitos comentários como: “É bom, mas deveria ser para todos”, “É bom, mas é só um?”, “É bom, mas foi feito em beneficio próprio”…

Nada é tão bom ou tão ruim quanto parece. Sempre vamos encontrar falhas, principalmente em algo que nunca foi feito antes. E todos os comentários são bem vindos, pois, como há de melhorar se não se sabe o que mudar?

Críticas apenas por críticas caem por terra. O que vale é quando se diz algo que vai mudar ou tornar o serviço ainda melhor ou próximo do que se deve ser. Ao que parece, pelo menos ele tem cumprido o seu papel de atender pessoas que perderiam seus animais por falta de dinheiro.

A procura tem sido imensa, já que muitos precisam do serviço e quem madruga em uma fila para isso é porque realmente ama o seu animal.  Senhas são distribuídas às 7h00 da manhã. O hospital tem feito mais de 80 atendimentos por dia. Emergência não passa por triagem. Tratamento e consulta sim.

Reuniões constantes são feitas pela diretoria em busca de cada vez mais adequar a unidade ao que se destina. Há duas semanas atrás, houve uma reunião com representantes de ONGs de São Paulo e uma das sugestões (a contratação de uma assistente social para triar os atendidos) já foi implantada.

Estive conversando com algumas pessoas durante o período em que estive por lá e tenho ido constantemente para constatar o quanto tem se feito necessária a implantação de uma Unidade Pública de Saúde para cães e gatos. Ideia que a muitos fez brilhar os olhos e a outros fez pensar: Mas para que isso?

Diariamente postarei histórias de quem realmente precisa do Serviço e que chegou a perder as esperanças de ter seu animalzinho vivo por falta de dinheiro.

O Primeiro Hospital Público do Brasil, apelidado de Publicão, nasceu de uma emenda do vereador Roberto Tripoli (PV), que também participou de projetos como a fiscalização e o combate ao comércio ilegal de cães e gatos, da implantação Merenda Vegetariana em Escolas Públicas e outros projetos voltados para a Proteção Animal.  A novidade surgiu como utopia para os céticos, mas em julho deste ano, o projeto foi posto em prática pela Prefeitura de São Paulo.

A unidade, que é administrada pela Anclivepa (Associação de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo), fica na Rua Professor Carlos Zagotis, 3, bairro do Tatuapé, Zona Leste de São Paulo e funciona de segunda a sábado das 7h às 19h. De acordo com a diretoria, os atendimentos são preferenciais à população de baixa renda, sendo assim, os atendidos passam pela triagem de uma assistente social. Para mais informação, ligue 11 2667-7795 / 11 2667-7804 / 11 2667-7789 / 11 2667-7793.

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