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08/05/2010 – Bate-papo cultural com a cantora Marisol Ferraz – edição 124

Por Elaine Paiva e Aglécio Dias

Apaixonada pelo teatro desde os 12 anos de idade, a cantora e compositora pernambucana Marisol Ferraz diz apreciar todas as formas de  arte. E não é a toa que a moça já transitou pelo teatro, dança, pintura, artes plásticas e atualmente investe em sua promissora carreira musical. Fã de Janis Joplim e de  rock ‘n roll anos 70, a artista de 31 anos, já compôs 20 músicas, das quais 10 devem fazer parte de um CD ainda sem título. Enquanto busca apoio para a gravação de seu primeiro álbum, a cantora organiza e se apresenta em diversos eventos, divulgando sua música e sua arte, que não seguem padrões.
Esbanjando simpatia e simplicidade, Marisol Ferraz participou do Bate-papo Cultural promovido na redação do Fato Paulista quando foi entrevistada por uma banca de entrevistadores formada por representantes de diversos segmentos artísticos e culturais.
Com seu violão nas mãos, a cantora mostrou algumas de suas canções e em interação total com os convidados, falou sobre música, tradição, inspiração e conscientização ecológica.
O Bate-papo Cultural é uma iniciativa do jornal Fato Paulista e é coordenado pelos jornalistas Elaine Paiva e Aglécio Dias.

Elaine Paiva (jornalista) – O artista baiano Edy Natureza viajou por vários estados do Nordeste até chegar aqui em São Paulo. Ele contou que quanto mais ele se aproximava do Sudeste, percebia uma grande perda da “cultura raiz” brasileira, que o Nordeste tem muito forte. Você, como uma artista nordestina que já mora em São Paulo há mais de 10 anos, percebe essa perda?
Marisol Ferraz – Concordo, quando ele diz que pessoas ligadas ao modismo, acabam esquecendo e desvalorizando o que é tradicional, mas quando circulamos por aquela região da avenida  Paulista, por exemplo, vemos algumas atividades culturais e pessoas interessadas em arte. Infelizmente, vindo mais para a periferia, percebo mais o que ele descreveu, porque as pessoas não têm esse espaço em suas vidas para contemplar a arte e nem condições financeiras para se deslocar e ter acesso a essa arte, o que acaba criando um desinteresse por parte delas, afinal elas têm que trabalhar para sobreviver e na correria do dia-a-dia, a arte acaba se tornando uma coisa supérflua.

Elmo Evangelista (ator) – Há quanto tempo você faz teatro? Como foi a sua carreira, hoje você já conseguiu o seu espaço como atriz?
Marisol Ferraz – Iniciei no teatro há quase 20 anos. Vi uma peça pela TV e me apaixonei, então decidi investir nisso, mas estudar mesmo, eu comecei em 1997. Ainda não consegui o meu espaço como atriz. Para ser um ator completo é necessário que haja uma entrega total, para que se desenvolvam papéis diversificados. Eu sou uma seguidora de Stanislavisk que diz que o ator deve deixar o personagem ser diferente dele, esse é o nosso papel. No teatro eu tive muito essa oportunidade, porém não tenho investido muito nisso, é um trabalho que exige uma dedicação integral e no momento, estou me dedicando à música.

Álvaro Sabino (professor) – Você disse que se sente atraída por todas as formas de arte. Seria possível, nos dias atuais, com tantas expressões artísticas, fazer como nos tempos do Modernismo, unindo todas essas artes em um só movimento. Como você acha que seria essa arte: uma coisa bem brasileira, ou uma coisa mais heterogênea? Seria um resgate de uma cultura brasileira perdida e menos privilegiada?
Marisol Ferraz – Eu não acho que há essa perda total da cultura brasileira. Tudo se transforma através do tempo. Precisamos ter coragem de aceitar essas mudanças, pois muitas vezes é bom que elas ocorram. Nada deve ficar estático. Queremos preservar a nossa cultura raiz, mas precisamos ter consciência de que a cultura é um organismo vivo, assim como a natureza. E tudo o que é vivo se transforma. Falo muito sobre isso nas músicas que escrevo e nos quadros que pinto. Quanto à possibilidade de colocar diversos tipos de arte em um mesmo movimento, basta que as pessoas que pensam da mesma forma se reúnam, pois unidos teremos mais força para despertar nas pessoas um interesse maior pela arte.

J. M. Estrada (Realizador audiovisual e estudante de cinema) – Quais são seus estudos e referências para a criação da sua arte? E dentro de todas essas artes que você desenvolve, qual é a sua preferida?
Marisol Ferraz – É difícil escolher uma preferida. Mas falando em referências, gosto de conhecer tipos diferentes de música, por exemplo, gosto muito de música clássica, mas também gosto bastante do rock dos anos 70, porque era feito de uma forma muito simples e eu gosto de fazer música dessa maneira mais solta, sem querer impressionar ninguém. No teatro tive contato com diversas vertentes, mas meu mestre maior é o Stanislavisk. Na pintura eu não tenho referências, pinto por puro atrevimento, comecei a pintar sem ter conhecimento algum, mas hoje sou muito fã do Salvador Dali. No cinema, gosto de filmes que questionam a maneira tida como “normal” de viver, que façam refletir e mostrem novas possibilidades de ver a realidade, como nos filmes Equilíbrio e Clube da Luta. Amo cinema e tenho o sonho de fazer algum dia. E eu estou sempre aberta a novas referências.

Geter Campos de Cerqueira (Músico, arranjador e produtor cultural) – Sou músico também e quando toco algum instrumento, preciso de uma inspiração para fazer isso. Onde você busca inspiração para suas composições e o que você costuma abordar dentro do seu trabalho?
Marisol Ferraz – Dentro de tudo o que eu faço, procuro passar alguma mensagem para as pessoas. Tenho vinte canções escritas e nelas eu falo sobre coisas que me emocionam, sobre coisas que me preocupam e quero fazer com que as pessoas também se preocupem. Falo sobre a natureza, sobre a política, sobre o amor. Gosto de observar as coisas que acontecem a minha volta, que acontecem no Brasil e no mundo e elas acabam se transformando em algum quadro ou em letra de música. Nós vivemos em um mundo individualista onde cada um só pensa em “cuidar do seu”, sem se preocupar com o outro. Eu penso que deveria haver um pensamento mais coletivo. Tento estimular isso.

Edy Natureza (Ator, músico e artista plástico) – Algumas empresas usam o artista para levantar o seu trabalho de publicidade e se dar bem financeiramente. Muitas delas acabam até destruindo a natureza e o planeta em função de lucros. Como você lida com essas empresas que oferecem apoio financeiro ao artista e ao mesmo tempo não têm consciência alguma de arte ou de natureza?
Marisol Ferraz – Tenho acompanhado algumas pesquisas sobre atitudes conscientes de algumas empresas em relação à preservação do planeta e a ações sociais. O lucro é um alucinógeno pior do que qualquer droga e muitas dessas ações são apenas marketing e não há realmente preocupação em preservar o planeta, porém acho que algumas empresas estão levando a sério isso, mesmo que seja por conta da pressão que sofrem atualmente, pois é um assunto que está em evidência, e é bom para elas aparecer como uma empresa consciente.


Contato Marisol Ferraz –
7575-4532

http://www.fatopaulista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1511&Itemid=38

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