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26/04/2010 – Educação ambiental e Cultura na mesma Arca – edição 123

O Bate-papo Cultural é um espaço aberto para a divulgação dos mais diversos tipos de arte e cultura. Sem julgamentos ou preconceitos, o espaço trará sempre uma figura relacionada à cultura (artes plástica, cinema, fotografia, rádio, TV, música, teatro, pintura, literatura, etc) para dividir seus conhecimentos em uma entrevista coletiva com a equipe do Fato Paulista e convidados. E para abrir este espaço com chave de ouro, ninguém melhor do que o artista Edy Natureza. Nascido na Bahia, Edy é o que se pode chamar de artista completo, pois canta, dança, representa, fotografa, escreve poesias, conta histórias, trabalha com artes plásticas, e toca milhares de instrumentos musicais, os quais ele próprio fabrica e ensina a fabricar em oficinas de modelagem. Há onze anos, o artista decidiu unir todas as suas habilidades em um único trabalho e criou a Arca do Novo Mundo, uma espécie de obra de arte itinerante sobre rodas que circulava por todo o Brasil com alguns animais e mais de 150 espécies de plantas medicinais (cultivadas na lataria de uma perua adaptada e coberta de barro), fazendo um resgate histórico do Brasil e do mundo através da divulgação e mistura de culturas, artes e tradições das mais de 2 mil cidades pelas quais passou, tendo como tema principal a natureza. Atualmente, Edy – que teve sua Arca apreendida pela Polícia Rodoviária de Riacho Grande, quando chegou a São Paulo ( matéria na próxima edição) – passa uma temporada em Itaquera e foi recebido na redação do Fato Paulista para a estréia do espaço Bate-papo Cultural. Durante a coletiva, Edy falou sobre tradição, natureza, arte e preconceito.

Luis Mário Romero –Como você avalia esse estrangeirismo no Brasil? 

Edy-Eu acho que a nossa real cultura fica escondida em função da moda. E nós, que valorizamos essa cultura de raiz, somos considerados ultrapassados. Se você entra na moda você está dentro do mercado. Mas eu penso que o ser humano não pode viver sem cultura, sem poesia, sem pular, sem cantar, sem dançar. O movimento hippie levantou muito a cultura nos anos 70 em todo o mundo. E hoje tem muito artista conceituado, que tem um ótimo trabalho e não sabe como conduzir, porque não tem apoio. Os jovens não têm essa cultura raiz.

Aglécio Dias – Como foi a aceitação do seu trabalho nessas viagens que você fez de cidade em cidade?

Edy – De uma cidade para outra tem uma grande diferença. Existem lugares em que a chegada do meu veículo era alucinante. Vinham pessoas de todas as partes, velhos adultos, crianças que queriam ver a arte. Elas ficavam impressionadas e queriam saber sobre aquilo, traziam outras pessoas para ver. Tivemos passagem por vilarejos que me marcaram muito, porque a aceitação era imensa. E foi o que me deu força para continuar levando para outros lugares.

Elaine Paiva – Você acha que aqui no sudeste há uma barreira para as artes de outros lugares do Brasil, como a do nordeste, por exemplo? Como foi a aceitação do seu trabalho por aqui?

Edy – Há uma grande barreira, porque lá no nordeste ela foi construída e aqui ela foi derrubada. Cada lugar que eu passei no nordeste eu adquiri algo para acrescentar a minha arca, meus figurinos, meus instrumentos. A aceitação no nordeste e muito maior do que aqui. Desde o Espírito Santo para cá eu já comecei a sentir diferença. E foi enfraquecendo até ficar presa. Há uma grande barreira, e há o preconceito porque muitas questões artísticas estão relacionadas com fé. Economicamente, o nordeste é mais pobre que aqui, mas espiritualmente é muito mais rico.

 

Ligia Minaro – Eu gostaria de saber quantos instrumentos você toca e como você aprendeu?

Edy – Na verdade eu não sei quantos instrumentos eu toco, são muitos. Eu aprendi naturalmente. Hoje eu vejo tudo como um instrumento, tudo pode ser transformado em instrumento musical. Meu corpo é um instrumento.

Norberto Romero – Quando eu te vi andando aqui pelo bairro, eu fiquei muito curioso e quis saber quem você era e conhecer o seu trabalho. Nesse tempo que você circulou pelo bairro de Itaquera, quantas pessoas te chamaram para te conhecer e saber qual era o seu ideal?

Edy – Essa atenção que você me deu não é normal acontecer por aqui. A arte que eu faço é considerada pelas pessoas como fora de moda. E se interessar é correr o risco de ser considerado ultrapassado. As pessoas não conseguem enxergar que a arte é maior que a moda. Elas não conseguem atingir esse nível e evolução. Essa carência de informação que as pessoas têm, essa falta de conhecimento de culturas diversificadas faz com que as pessoas tenham um preconceito e às vezes até são agressivas.


http://www.fatopaulista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1486&Itemid=38

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