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16/12/2008 – Tatuapé – Crescimento Urbano X Áreas Verdes. Quem sai perdendo? – edição 93

Por Elaine Paiva

Tatuapé é sinônimo de crescimento imobiliário e comercial visíveis. Mas e as áreas verdes e a qualidade do ar, onde ficam nessa história?

Tatuapé é sinônimo de crescimento imobiliário e comercial visíveis. Mas e as áreas verdes e a qualidade do ar, onde ficam nessa história?

O bairro de maior crescimento da Zona Leste de São Paulo possui quase 100 mil habitantes e 3,86 m² de área verde para cada um deles, isso contando desde pequenos canteiros e jardins até grandes parques, segundo dados da SVMA (Secretaria do Verde e Meio Ambiente), publicados no Atlas Ambiental de 2003 – último registro.  Este é um índice considerado baixo, já que a OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece que o índice de área verde por região deve ser igual ou superior a 12m² por habitante urbano.

A situação torna-se ainda mais preocupante se lembramos que, no próximo ano, o Tatuapé deve receber cerca de 50 mil novos moradores, que devem ocupar os lançamentos imobiliários e dividir o mesmo ar com os habitantes já existentes, pois ao que se percebe o índice de áreas verdes não tem acompanhado o crescimento imobiliário e comercial do bairro.

A cobertura vegetal é o principal componente regulador do clima dentro do espaço urbano, pois é capaz de neutralizar os efeitos negativos, como a elevação de temperatura e a poluição do ar, sendo assim, é indispensável em um lugar como o Tatuapé, com grande concentração de visitantes por conta das estações de trem e metrô, bares e shoppings centers, sem contar a poluição ocasionada pelos veículos, que favorece a má qualidade do ar.

Na legislação atual os empreendedores são obrigados a manter, nos terrenos edificados, pelo menos a mesma quantidade de árvores cujo corte for autorizado e 15% do solo deve ser permeável. Para cada dez cortes autorizados foi determinado o plantio interno de 17 árvores em 2005, 29 em 2006 e 34 em 2007, em média.

De acordo com a SVMA, o balanço feito entre 2005 e 2008 é positivo para o meio ambiente no caso dos Termos de Compensação Ambiental (TCA) de obras públicas e privadas. Além disso, a prefeitura trabalha em um programa de expansão de parques. Na Subprefeitura de Aricanduva formam implantados três parques lineares e mais três estão sendo implantados na região, sendo um deles na Vila Formosa.

Diante do grande crescimento imobiliário e comercial do Tatuapé, algumas personalidades do bairro deram sugestões para que a disparidade entre empreendimentos imobiliários e áreas verdes diminua.

 

“Não creio que o desenvolvimento comercial e imobiliário esteja prejudicando o bairro. As construtoras têm investido em áreas verdes, mesmo porque isso valoriza o empreendimento e os torna vendável. A maioria dos novos empreendimentos está sendo construída em espaços onde antes existiam indústrias e nenhuma área verde, ou seja, o que será plantado pelas construtoras já é uma contribuição, claro que não o suficiente, mas o Tatuapé é progresso. Tem que crescer e as pessoas precisam de moradia Não podemos transformar o bairro em uma zona rural, nós temos feito a nossa parte e sei que não é o suficiente. Resta a subprefeitura arborizar praças e parques que não têm árvores e também as ruas” (Joel Abrão – Arquiteto)

 

 

 

 

 

“A subprefeitura tem uma grande demanda por arborização.De 2006 até agora foram plantadas 17 mil árvores. Além disso, foi construído um viveiro de árvores e arbustos com o Núcleo de Cidadania. Algumas mudas também foram plantadas nas calçadas, com autorização de seus proprietários, mas nem todos aceitam, porque é trabalhoso cuidar. É importante a população se conscientizar que é preciso cuidar do verde na região” (Eduardo Odloak – Subprefeito Mooca).

 

“O que deve ser feito antes de tudo é uma conscientização da população, isso, desde a escola, para que as crianças já cresçam com a idéia de que é bom ter árvores por perto e que é importante cuidar do meio ambiente. É difícil colocar isso na cabeça de um adulto, não adianta plantar árvores nas calçadas para as pessoas quebrarem. Não temos essa cultura de cuidar, isso deve ser desenvolvido” (Vagner Landi – Engenheiro Urbanista).

 

 

 

 

 

“O bairro do Tatuapé cresce continuamente em todos os aspectos sociais e econômicos, não deixando nada a dever na beleza de seus edifícios, valorização imobiliária, espaços urbanos de excelência e de exclusividade. Mas o que prepondera no seu crescimento não são as reservas de áreas verdes que podem ser obtidas a começar pelas suas ruas, calçadas, canteiros, permeabilidade do solo, plantio de pequenas árvores ou arbustos, gramas em faixas longitudinais, dando sentido ecológico, visual moderno e organizado”. (José Garris Del Valle – Diretor Superintendente da Associação Comercial – Distrital do Tatuapé)

 

 

 

Má qualidade do ar X Saúde

 

De acordo com médico otorrinolaringolista Paulo Manzano, a falta de áreas verdes e a má qualidade do ar podem causar diversos males à saúde, como problemas respiratórios e até mesmo psicológicos. “O nariz é responsável por preparar o ar antes que ele vá para o pulmão. Ele filtra, aquece e umidifica o ar, isso estando o ar em condições normais. Então esse ar que já vem mais seco e sujo vai causar um quadro irritativo que pode diminuir nossa defesa imunológica e se transformar em infecção” afirma o Manzano.

O ortorrinolarigologista acrescenta que precisamos estar atentos às mudanças que a má qualidade do ar provoca em nosso organismo, para que possamos agir rapidamente evitando doenças graves. Entre os principais sintomas citados pelo médico estão: congestão nasal, coriza, cefaléia, irritação na garganta, tosse seca, pigarro, secreção acumulada na garganta, dores musculares, cansaço, queda no desempenho profissional e do raciocínio, “e se tiver febre, procure um profissional”, alerta.

Segundo o Dr. Paulo Manzano, a má qualidade do ar é uma realidade com a qual vivemos e raramente podemos evitar, porém existem algumas dicas para que seus efeitos negativos sejam diminuídos no corpo humano, são elas: tomar água exageradamente para manter o corpo hidratado, dispensar alguns alimentos que agridem a nossa laringe, como tudo o que é muito quente, muito gelado, muito doce, muito acido ou muito salgado. Evitar refrigerantes escuros, catchup, mostarda e chocolate. E para as crianças: evitar salgadinhos, lavar as mãos com freqüência e deixar as unhas sempre curtas.

 Paulo Manzano é membro da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial, membro Internacional da Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, membro da Associação Americana de Otorrinopediatria, membro da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica Facial, também é cirurgião plástico facial e atualmente se dedica à área estética.

http://www.fatopaulista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=803&Itemid=34

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