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22/02/2009 – Parque do Ibirapuera não tem acessibilidade – edição 97

 

 

 

Texto Elaine Paiva

Charge Nico

O diretor do DEPAVE 5 (Departamento de Parques e Áreas Verdes) de São Paulo, Heraldo Guiaro, recebeu, no dia 8 de fevereiro, integrantes do movimento Inclusão Já em uma reunião para discutir a falta de acessibilidade nos parques de São Paulo.  

De acordo com Valdir Timóteo( a direita na foto), coordenador geral do movimento Inclusão Já, a reunião se deu pelo seguinte motivo: Em dezembro de 2008, um grupo de cadeirantes, do qual ele fazia parte, esteve em um passeio no Parque do Ibirapuera. Nesse dia, as vans do Atende (programa da Prefeitura que disponibiliza transportes aos portadores de deficiência)  foram proibidas de entrar no parque e os cadeirantes tiveram que desembarcar do lado de fora. Após uma reclamação e em uma segunda visita, essa no dia 25 de janeiro – aniversário de São Paulo – o grupo voltou a se reunir no Parque do Ibirapuera. Dessa vez, conseguiram desembarcar dentro do parque, porém o problema foi quando um deles precisou ir ao banheiro. Depois de uma longa procura, isso por conta da falta de placas de sinalização, o grupo encontrou um banheiro fechado com cadeado. Valdir avisou os seguranças, que abriram o banheiro, o qual ainda precisava ser limpo para depois ser utilizado. Diante da situação, Valdir entrou em contato com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente – SVMA. A administração alegou que o banheiro estava fechado para reformas e depois de um pedido de desculpas, Valdir foi convidado por Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, para apontar as irregularidades encontradas por ele no parque, em termos de acessibilidade. “É muito fácil ser deficiente físico, isso qualquer um pode vir a ser um dia, o difícil é ter os direitos respeitados”, reclamou Valdir.  

Na manhã do domingo, dia 8, os integrantes do movimento chegaram por volta das 10 horas para um “passeio pelo parque” com Heraldo Guiaro ( a esquerda na foto). Logo no início, Valdir ofereceu ao diretor do DEPAVE uma cadeira de rodas para que ele não só testemunhasse, mas também “sentisse na pele”  as dificuldades pelas quais passam as pessoas com deficiência em um local com pouca acessibilidade. 

Durante o trajeto, que teve inicio na marquise, próxima ao o Museu Afrobrasil, foram registrados alguns problemas, tais como: calçadas irregulares e esburacadas, rampas também irregulares, falta de placas indicativas, falta de acesso para pessoas com deficiência ao playground e grelhas inadequadas nos bueiros. Valdir reclamou também da distância entres os banheiros, das portas que são pequenas para a passagem das cadeiras de rodas e sugeriu ainda que ao lado dos banheiros fossem construídos trocadouros para as crianças e também para as pessoas com deficiência. Além disso, o coordenador do Movimento Inclusão Já entregou a Heraldo um documento contendo sugestões para melhorar a acessibilidade, entre elas o treinamento de funcionários para lidar com os diferentes tipos de deficiência e projetos de brinquedos adaptados para crianças com deficiência. “Quando uma criança com deficiência vai ao parque, ela não tem como brincar e tem que ficar só olhando as outras brincando. Isso faz com que ela se sinta mais excluída”, reclamou Valdir. 

O chefe de gabinete da SVMA Hélio Neves (foto), que passeava com o filho pelo parque, veio se juntar à “caravana” e também foi convidado a andar de cadeira de rodas, tentou por alguns instantes, mas desistiu e seguiu a pé até o final do trajeto que “por coincidência”, acabou no Jardim das Esculturas, um espaço que destoa de todo o resto do parque por ser considerado o espaço da acessibilidade, com grelhas corretas nos bueiros e rampas padronizadas. “Esse é um exemplo para ser usado no parque inteiro”, observou Valdir. 

No fim do “passeio”, Heraldo Giaro afirmou que deve tomar providências imediatas para resolver os problemas mais visíveis, como os buracos na marquise, a padronização das rampas e as portas dos banheiros. “É claro que não estou falando hoje para fazer na segunda-feira, temos que considerar o tempo médio da prefeitura, mas vou tomar providências”, explicou e disse ainda que vai analisar a proposta dos brinquedos adaptados. Quanto às placas de sinalização e a construção de novos banheiros: “É muito difícil fazer mudanças que não estão previstas no plano diretor, até mesmo estando no plano diretor é difícil. Uns vão a favor outros contra, não é tão fácil, é uma dificuldade danada”, opinou Hélio Neves. 

 

Sobre ser cadeirante por um dia, Heraldo (foto) disse que foi uma experiência marcante: “São braços que são utilizados como pernas. São situações que passam desapercebidas pelas pessoas que caminham com as pernas, mas temos que entrar em contato com o problema”. Questionado sobre o motivo da falta de acessibilidade nos parques da capital o diretor respondeu: “Quem constrói os parques, as rampas, geralmente faz parte da grande maioria que não sofre com problemas de acessibilidade”. 

Segundo Valdir, a proposta para o Parque do Ibirapuera servirá de base para adaptações em outros parques da capital. Heraldo Guiaro diz que pretende manter uma relação estreita com o movimento Inclusão Já para resolver os problemas. É esperar para ver.

 

 

http://www.fatopaulista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=877&Itemid=34

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