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22/09/2009 – Lei Antifumo: defesa da saúde pública ou discriminação? – edição 111

 

Texto Elaine Paiva

Charge Ferrão

Pesquisa revela queda no faturamento após a nova legislação e divide a opinião de proprietários de bares e restaurantes

A nova legislação, que vigora desde 7 de agosto de 2009, tendo como lema a defesa da saúde pública, decreta a proibição do fumo em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais, e há mais de um mês em vigor, tem causado polêmica entre clientes fumantes e donos de estabelecimentos, já que também está proibida a instalação de fumódromos e áreas reservadas para fumantes.

Segundo um levantamento feito pela Abresi (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo) e publicado pela Folha de São Paulo, no dia 9 de setembro, essa medida tem diminuído o faturamento dos bares e restaurantes. A pesquisa feita em 90 bares de São Paulo, entre os dias 1o. e 3 de setembro, revela que as casas noturnas tiveram 38% de queda no faturamento, os bares tiveram queda de 22%, e os restaurantes registraram 11% de perda. Na publicação consta ainda que durante a pesquisa, gerentes e proprietários revelaram que os clientes têm ficado menos tempo dentro dos estabelecimentos, porém a Secretaria da Saúde do Estado não confirmou o fato e alegou que os dados da Abresi não batem com os dados que tem recebido sobre a freqüência das pessoas nos bares.

Em entrevista realizada pelo Fato Paulista com alguns proprietários de bares e restaurantes da Zona leste, é notória a divergência de opiniões. De acordo com Edmundo Scatena, proprietário do Bar Filadélfia, no Tatuapé, a lei é extremamente necessária. “Apesar de ser fumante, considero o cigarro uma coisa extremamente nociva. Quanto mais se evitar a propaganda e o uso do cigarro, melhor. Não penso que isso atrapalhe o movimento dos bares. As pessoas que querem fumar vão lá fora, fumam e depois voltam”, disse.

Já para Miguel Felipe Lozano, proprietário do Bar Zappi, em Itaquera, a lei antifumo é uma discriminação. “Essa lei é uma porcaria. As pessoas não podem ficar juntas dentro de um espaço, têm que sair do bar para ficarem à vontade. Isso é uma discriminação. Eu acho que isso afasta o público dos bares sim, eu percebi a diminuição em pelo menos 50%”, reclamou.

Na opinião de Rogério Camacho, proprietário do Bar Camacho, em Itaquera, a lei antifumo transformou os bares e restaurantes em um ambiente “mais família”. “Sei que bar não é lugar para criança, mas essa lei permite que as pessoas frequentem os bares com sua família, levem seus filhos para comer um pizza, além disso a frequência das pessoas em bares não depende de cigarro, depende de dinheiro”, disse o proprietário.

Definindo-se como totalmente contra, Evandro Campos, proprietário do Bar Sabbadá, em Itaquera, tachou a lei antifumo de “proibição absurda do governo” e completou: “Eles forçam as pessoas a não fumar para diminuir o investimento deles em Saúde, mas com isso eles acabam prejudicando outro setor: o do emprego. Com essa lei, as pessoas param de frequentar os bares e nós temos que diminuir o quadro de funcionários. Isso causa desemprego”.

Para Orivaldo Nunes ( Dinho), proprietário do restaurante Ferrolho, em Itaquera, a nova legislação é excelente, realmente uma defesa da Saúde Pública. “É uma maravilha. Sou totalmente a favor. Essa lei melhorou o ambiente, as pessoas conseguem ter mais vida, mais saúde. Acredito que a lei mudou tudo para melhor e realmente penso que isso não atrapalha em nada o movimento dos bares”, afirmou.

Analisando os dois lados da moeda, Carlos Aparecido da Silva ( Carlinhos), proprietário do restaurante Costela Bar, em Itaquera, revelou que concorda em partes com a nova lei, não discorda que ela seja excepcional, mas declarou que não se deve proibir o que não é proibido. “Acho que deve haver uma área para fumantes nos bares. A partir do momento em que você pode atender bem um público e outro não, isso se torna uma injustiça. Penso que é excepcional que os não fumantes sejam respeitados, mas os fumantes têm que ter o espaço deles, não porque isso diminua o faturamento, mas por questão de respeito. O cigarro não é proibido, por que as pessoas são proibidas de fumar?”, questionou.

Dividindo opiniões, a lei antifumo, além da já estabelecida proibição, traz consigo campanhas educativas com o objetivo de provocar mudança de comportamento na população fumante, além de fiscalização, multas e até interdições dos estabelecimentos que descumprirem a atual legislação.
http://www.fatopaulista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1221&Itemid=34

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